quarta-feira, novembro 21, 2007
Conversor por mil reais? Vou de piratão ...
O nosso empresariado é um sujeito engraçado que conseguiu criar o capitalismo tropical onde o lucro e o risco não andam juntos. O que é estranho, em se tratando do sistema capitalista. E digo isso por causa dessa declaração da Semp Toshiba ao lançar o conversor para a TV Digital:
"Claro que os preços estão altos, é um único mercado, ainda sem escala, que está
demandando os chips."
O que eu quero salientar é que os nossos empresários sabem que temos mais de 80 milhões de aparelhos televisivos. Então, os conversores (set-top boxes) ainda não criaram escala para terem seus preços mais baixos, mas o farão. A escala não foi criada ainda, mas ela será e não será pequena. Nosso mercado é grande, consome tecnologia como coreano e não tem problema em dividir em suaves prestações com juros.
Seria o caso de afirmar que, nestes passos, o lançamento da TV Digital será apenas para a high society? Apenas para os abonados que podem pagar este preço exorbitante?
Obviamente que as grandes cadeias de venda a varejo, entrarão nesta dança do 'quer pagar quanto?', jogando o preço, se não para baixo, pelo menos por um prazo maior, um prazo que dê para o consumidor comum pagar.
Porém, é de uma tristeza enorme assistirmos à esse filme. E o pior é que agora culpam o sistema de transmissão. O fato de termos um sistema próprio subiu o preço, visto que as máquinas existentes lá fora não possuem a tecnologia brasileira (apesar que hoje, um aparelho que receba o sinal japonês consegue assisitir à TV Digital em São Paulo).
Seria o fato inquietante ao Governo? Creio que sim, o problema reside na forma de como intervir. Uma das formas seria de o preço do conversor ser estipulado por tabela. Desta forma, o empresariado tupiniquim teria que trabalhar com o lucro na escala, perde-se no começo e recupera-se a frente. Outra forma seria a da forma de subsídios, e nisso a nossa indústria é de ponta. Todos reclamam que o Estado é grande, mas a grandeza nacional, inclusive a privada, é por força do Estado que sempre concedeu as graças necessárias. Sempre.
O que seria engraçado e não o é deriva que as ajudas foram concedidas como o BNDES que tem a disposição pouco mais de R$ 1 bi para incentivar a TV Digital, tanto na produção, como na transmissão, distribuição e etc... Mas querem mais. Para lançar os aparelhos com interatividade (o must), colocam o preço lá em cima. O pior é que conhecendo o projeto do GINGA, você descobre que ele foi desenvolvido para ser barato, possui dois sistemas de middleware (um em java, outro em XML) que conversarão em qualquer plataforma que seja utilizado (o princípio do software livre). Em termos de desenvolvimento, não onera os custos de produção.
O mais interessante será vermos o desenvolvimento do conversor no camelódromo a R$100,00. Não é difícil de imaginarmos isso, o GINGA é gratuito e o resto não é muito difícil. O legal é que restará a pergunta se eu posso conectar o set-top box a um PC para ter a interatividade e armazenamento de vídeos e assistir na televisão. O computador de todo mundo vai parar na sala. Eu, por enquanto, diante deste panorama, prefiro comprar o meu conversor dos camelôs, ilegal por imoral, eu fico com o que pesa menos no bolso.
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